Editorial lembrou a importância cultural da Casa Memorial dos Viajantes
"Exemplo de Diamantino" – Editorial do jornal Diário de Cuiabá
Memória institucional ainda é tema que recebe pouca atenção em Mato Grosso, que vive o chamado ciclo do imediatismo desenfreado em busca do desenvolvimento, sem se preocupar com sua história.

Felizmente algumas iniciativas isoladas nas áreas institucional e privada lançam olhares sobre a memória, o que impede que a mesma seja apagada e se torne abstrata para a população. Um desses casos leva as digitais do escritor e ambientalista Nicolas von Behr nascido em Cuiabá, ex-morador em Diamantino onde os pais eram fazendeiros e radicado em Brasília, que [preparou] uma exposição sobre a Expedição Langsdorff (1825/29), que cruzou o município onde permaneceu por seis meses desenvolvendo diversas pesquisas nas áreas de botânica, astronomia, física, cartografia, hidrografia e outras.

Diamantino, a bicentenária cidade fundada em 18 de setembro de 1729, tem uma das mais ricas histórias mato-grossenses e seu território foi palmilhado pela expedição do barão Georg Henrich von Langsdorf, pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon em sua saga de interligar o Rio de Janeiro a Manaus pelo telégrafo, pela expedição de Rondon com o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevel e outras.

Situado no Chapadão do Parecis que é a maior área agricultável contínua do mundo, Diamantino se destaca por sua produção agrícola, mas sua origem se deve à mineração do diamante e ouro na região do Alto Rio Paraguai.

Cidade que sempre viveu à frente de seu tempo, Diamantino buscou na navegação o caminho lógico para escoar sua produção mineral para a Europa. Ainda no Brasil Império a economia diamantinense abriu caminhos ao Pará pelas águas dos rios Arinos, Juruena e Tapajós até Santarém, de onde os diamantes extraídos de suas entranhas seguiam para Belém, última parada antes de Amsterdam, onde eram lapidados e se tornavam joias imperiais e da burguesia europeia.

Ao abrir caminho às grandes expedições que percorreram Mato Grosso e ao encontrar saída navegável para Belém, Diamantino construiu bela página histórica, que desde 2008 é preservada na Casa Memorial dos Viajantes – antiga residência dos padres jesuítas.

A Casa Memorial dos Viajantes nasceu da união de forças de Nicolas com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes - nascido em Diamantino – e da cineasta Adriana Florence, tetraneta de Hércules Florence (integrante da Expedição Langsdorff). Graças a ela, Diamantino [recebeu]uma exposição sobre a passagem de Langsdorff pela região.

Com 40 quadros – dos originais em Moscou - com réplicas em tamanho real da coletânea de Langsdorff sobre a região, Diamantino se [reencontrou] com boa parte de seu passado.

Tomara que a iniciativa de Nicolas inspire cidadãos e instituições para o resgate da história mato-grossense, antes que a luta pelo amanhã deixe Mato Grosso sem o ontem de sua origem.

Diamantino construiu bela página histórica, que desde 2008 é preservada na Casa Memorial dos Viajantes.

Fonte: Editorial publicado na edição 12963 em 19/03/2011 no Jornal Diário de Cuiabá
Foto: Assessoria de Imprensa